Escola de Engenharia da UFRJ elege primeira diretora mulher em 225 anos de história

3 de abril, 2018 | Escrito por MEX

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Por Ediane Merola/O Globo

Em 225 anos de história, a Escola Politécnica da UFRJ tem, a partir desta segunda-feira, sua primeira diretora mulher: pelos próximos quatro anos, a professora Cláudia Morgado, de 53 anos, vai comandar a instituição de ensino de engenharia mais antiga das Américas, que oferece 13 cursos de graduação e 32 de pós-graduação lato sensu, além de três mestrados profissionais. Estarão subordinados a ela 6.200 alunos e 208 professores, a maioria homens. Um desafio e tanto para Cláudia, que já ocupou cargos de gestão na Poli e agora quer reformular o ensino na escola para formar não somente engenheiros, mas empreendedores, profissionais capazes de contribuir para o crescimento do país.

Nosso objetivo é formar não só um excelente engenheiro, capaz de conseguir bons empregos e passar em concursos, mas alguém que contribua para o crescimento do país, que chegue a um status que possa ajudar a distribuir renda no país. Em Singapura, a maioria dos cursos é na área de tecnologia, pois eles sabem que é isso o que alavanca o desenvolvimento. Claro que alguns vão trabalhar em empresas, mas até nesses cargos eles terão uma visão empreendedora e serão profissionais com melhor desempenho — afirma a professora, que tomou posse às 15h desta segunda, junto com seu vice, o professor Vinícius Carvalho Cardoso, de 47 anos, engenheiro de produção pela Poli.

Engenheira civil também formada pela Politécnica, em 1987, Cláudia sabe que não é por acaso que até hoje uma mulher não tenha chegado ao posto máximo da instituição: de acordo com ela, apenas 17% dos professores da escola são mulheres.

— Ainda somos minoria, mas esse quadro vem mudando. Entre os alunos, 40% já são mulheres. Em engenharia ambiental, por exemplo, elas ocupam dois terços das vagas. Não podemos ficar acanhadas. A partir do momento que a gente não acredita no preconceito conquistamos nossos objetivos – afirma a professora, que recebeu a maioria dos votos nos três seguimentos (docentes, funcionários e alunos). — Entre os funcionários, minha chapa recebeu 111 votos contra 19 da concorrente. Fui diretora adjunta de Administração e Pessoal da escola durante seis anos. O resultado mostra que as pessoas conhecem meu trabalho.

POLITÉCNICA TEVE ORIGEM EM ESCOLA MILITAR

Apesar de ter uma história na universidade – fez doutorado engenharia de produção no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ) e coordenou cursos de pós-graduação na federal do Rio -, Cláudia não se acomodou durante a campanha e foi ao campus conversar com lideranças estudantis. Quando fala em reavaliar a formação do engenheiro, ela conta que sua equipe está fazendo um estudo comparado de currículos, usando como base até instituições do exterior, e a tendência, diz, é ter menos disciplinas em sala de aula e mais didática para resolver problemas.

Quando lidamos com uma geração mais opinativa, ela quer saber por que está está estudando aquilo. O aluno precisa entender o motivo de estar aprendendo aquilo — conta a professora, que ao lado do vice terá ainda a missão de elaborar um plano de gestão para a Poli, para o período de 2020 a 2036, que inclui melhorias na estrutura de comunicação da instituição, para que os estudantes conheçam melhor a Poli.

Criada em 1792, a Escola Politécnica da UFRJ tem origem na Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho. Os primeiros engenheiros do país eram militares. Quando houve a necessidade de o Brasil organizar suas cidades, foi preciso formar profissionais com outras habilitações, as civis – não militares. É daí que vem o nome da engenharia civil.

A Poli é o braço civil da Real Academia. Ela começa com cursos de graduação. Na década de 1960, com a necessidade de cursos de pós na área, foi criada a Coppe. Hoje há maior cooperação entre as duas unidades. As graduações em engenharias ambiental e de automação e controle, por exemplo, são uma parceria entre a Poli, a Coppe e a Escola de Química, outra unidade da UFRJ — explica Cláudia.

NA COPPE, PRIMEIRA E ÚNICA DIRETORA ASSUMIU HÁ 15 ANOS

Na Coppe, há 15 anos a direção ficou aos cuidados da professora Angela Uller, para o mandato 2003/2007. Até o momento, ela é a primeira e única mulher eleita para comandar a instituição, que é o maior centro de ensino e pesquisa de engenharia da América Latina. Angela foi eleita três meses após a instituição completar 40 anos:

— É muito importante termos mulheres em cargos de direção, em lugares onde há menos mulheres, inclusive para mostramos às gerações mais novas que não há essa diferença.

Desde agosto de 2015 coordenando a unidade Coppe da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii-Coppe), respondendo pela coordenação de grandes projetos de ponta da área de Engenharia Submarina para Exploração de Óleo e Gás, realizados em parceria entre a universidade, empresas e o governo federal, Angela diz que, sim, ainda há preconceito contra mulheres na área de engenharia. Mas isso, como mostra seu currículo, não pode ser empecilho para ir além:

— Temos que nos expôr, dar a cara a tapa. Se você se dispõe a ser diretora de uma instituição tradicionalmente masculina, tem que encarar.

Foto de Marcos André Pinto.

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