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Retratos de Carreira

Catarina Helena Vitoretti Guerra

Gerente Corporativo de Recursos Humanos, Planejamento Estratégico e Gestão*

Mini currículo: Formação – Pedagogia. Especialização em Condução de Grupos pela FAAP/SP, MBA em Gestão de Negócios pela Fundação Getulio Vargas e Advanced Management Program pelo ESADE.

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Olhando minha trajetória, poderia dizer que é igual a de muitas mulheres que conheço. Saí da casa dos meus pais, em Carandaí, MG, aos 17 anos para estudar em Barbacena, que oferecia mais opções. Nunca fui a melhor aluna da sala, mas estava entre as primeiras. Porém, minha capacidade de articulação, meu espírito combativo e a facilidade de estabelecer relacionamentos já se destacavam desde cedo. Assim, eu estava sempre no lugar em que as coisas aconteciam. Esse meu jeito me levou à minha primeira experiência profissional, na EMATER, para trabalhar a 2.000 km da minha terra natal. Período de difícil aprendizado, que acompanha os grandes desafios. Trajetória que fortaleceu minhas características e serviu para moldar outras competências preciosas: autonomia, senso de urgência, responsabilidade, coragem, tomada de decisão e trabalho em grupo. Hoje, quem me conhece, descreve essas características como minhas marcas, acrescidas de uma boa dose de otimismo e alegria.

Já são 31 anos de casamento, lindas histórias pessoais e dois filhos (Eduardo e João). Aprender coisas novas, ter habilidade com a diversidade cultural, enfrentar lideranças difíceis, compreender e sobreviver ao jogo de poder presente na maioria das organizações são parte da minha história. Vivi conquistas. Superei derrotas. Aprendi grandes e constantes lições. Até assédio sexual aconteceu comigo, deixando marcas que, por fim, foram superadas. Lembro que fui demitida da empresa que estava logo após voltar da licença maternidade de meu primeiro filho, com o argumento de que “mulher com filho pequeno não produz o que a gente precisa”. Meu marido abriu um espumante no dia da demissão para “comemorarmos o início de um novo ciclo”. E assim aconteceu. Fui para uma empresa ainda melhor e a vida continuou. Meu marido, sempre foi um grande incentivador, assumindo muitas atividades em relação aos filhos e ao lar, para que eu seguisse com meus estudo e viagens frequentes.

Hoje, aos 54 anos, com mais de 20 de atuação profissional penso que além de continuar contribuindo com o que já faço atualmente, pretendo buscar um caminho para começar a dividir a colheita farta desses anos. Posso ensinar, estimular, trocar e compartilhar a experiência e todos esses aprendizados, com a humildade e a certeza de que muito ainda há para se aprender. Mudança, chacoalhada no conforto, sentir “bolhas no estômago e calafrios na espinha”, são energias que me movem.

Se eu pudesse dar um conselho às demais mulheres, diria que é preciso delinear um objetivo claro, saber o que se busca. Afinal, o destino tem que ser traçado antes de definir os caminhos, porque se não for assim, você pode chegar onde não queria. Com isso feito, colocar foco, determinação e força. Estudar é fundamental. Conhecer o mercado onde atua, entender o básico de macroeconomia, finanças, marketing, recursos humanos, operações e outras disciplinas. Ter a capacidade de falar sobre política, esportes, tecnologia, enfim, estar um pouco antenada com o que acontece no mundo. Ser articulada, capaz de falar em público e emitir opiniões, ainda que com a humildade de demonstrar que não sabe tudo e eventualmente até flexibilizar a sua própria, se isso contribuir para um bem maior. E a última dica: controlar as emoções, aí está nossa força e também nossa fraqueza. Mulher demonstrando sensibilidade sim! Mas fraqueza, jamais. “Engolir o choro”, às vezes, é necessário e recomendado. Mulher demonstrando fragilidade diante de situações profissionais, apesar de ser compreensível e humano, pode desequilibrar a roda do poder, seja na frente de homens ou outras mulheres.  É difícil assumir que isso é necessário. Mas aí está uma postura preciosa para quem quer seguir em frente.

Dica de vida –
“Não acredite cegamente em nenhuma convenção. Antes disso, questione, desafie, busque alternativas. Seja curiosa e animada em saber o que há de novo por aí. Nenhuma verdade é por si só, única e suficiente. E se algo tem significado para você, fique, encare e lute. Agora se você não encontrou um significado ou ele deixou de existir, tenha coragem para dar meia volta e procure algo que tenha. Afinal, em tudo sempre há tempo de recomeçar, mas se fizer isso muito tarde, vai andar menos quilômetros do que seria capaz. E lembre-se: no caminho da vida, o que vale é curtir muito a paisagem ”, Catarina Guerra.

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